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Crianças devem usar que tipo de pasta de dente?

20/10/2010 às 00:00

Gabriel de Almeida e Amaral, 8 anos, não gosta muito de escovar os dentes. Gostoso, mesmo, garante o menino, é comer o creme dental escondido dos pais - especialmente quando ele encontra sabores atraentes, como morango, tutti frutti e uva, no armário.

Por causa do excesso de flúor adicionado a essas pastas, seus dentes nasceram com manchinhas brancas, chamadas de fluoroses.
É também por causa delas, que representam um mero problema estético, que vários fabricantes de cremes dentais para crianças decidiram reduzir o teor de flúor dos produtos, já prevendo que eles acabariam devorados feito guloseima pelo público infantil. Com isso, os dentistas agora têm de lidar com um problema bem mais sério: a volta da cárie ligada à falta de flúor.

Segundo uma pesquisa de mestrado orientada pelo pesquisador Jaime Cury, professor da Faculdade de Odontologia da Unicamp (campus Piracicaba), a tendência de se usar pastas com teor reduzido de flúor para os menores de 6 anos, disseminada nos anos 2000, mostra seus reflexos agora, com um aumento de casos de cáries nos consultórios.

“A prevalência de cárie dental em crianças de 4 e 5 anos começou a aumentar de novo. A cárie é uma doença não erradicável. Se a gente baixar a guarda, ela com certeza aumenta”, afirma Cury. O estudo, desenvolvido pela dentista Regiane Cristina do Amaral, foi publicado recentemente pela revista científica “European Journal of Oral Sciences” - referência em odontologia.

Cury conta que, durante suas palestras, dentistas de todo o Brasil o procuram para relatar o aumento na incidência de cáries em seus consultórios. A dentista Márcia Vasconcelos, consultora da Sociedade Brasileira de Odontologia (SBO), faz questão de lembrar que, foi por causa da universalização do uso de flúor no Brasil, desde os anos 1980, é que as cáries começaram a ser controladas no País.

No estudo da Unicamp, Cury comparou a eficácia de dois tipos de cremes dentais em 14 crianças: os de baixa concentração de flúor, com 500 ppm (partículas por milhão), e os de alta concentração da substância, com 1.100 ppm. Depois, ele coletou uma amostra bucal dos voluntários analisados e submeteu o material a diferentes quantidades de açúcar para ver como as bactérias se comportavam.

Quando exposto a pouco açúcar (duas vezes ao dia), o flúor menos potente foi suficiente para conter as bactérias da cárie. Mas, nas amostras submetidas a muito açúcar (oito vezes ao dia), as bactérias da cárie ficaram ativas. Além disso, nas crianças que já apresentavam o desenvolvimento de cárie, o creme de baixa concentração de flúor não foi suficiente para barrar o processo, enquanto que o creme de 1.100 ppm fez a cárie regredir.

Atenção na escolha - As duas variedades de concentração de flúor estão disponíveis no mercado. Segundo Cury, as conclusões do estudo servem de alerta para os pais na hora de escolher o creme dental do filho: a concentração acima de 1.000 ppm é fundamental na avaliação dele. Para evitar as manchinhas da fluorose, o dentista recomenda orientar as crianças a usar pouca quantidade de creme dental na escovação - o tamanho correspondente ao de uma ervilha já é suficiente. Vale também proibir a comilança de pasta. “Já ouvi relatos de crianças que comiam creme dental com bolacha recheada ou no meio do pão. Isso é um absurdo. Os pais precisam educá-las para isso não ocorrer”, acredita.

Pai de Gabriel, o fotógrafo Sérgio Amaral conta que tem se esforçado para brecar as estripulias com os cremes dentais. “Essas pastas infantis são boas por um lado, porque incentivam a criança a querer escovar os dentes. Mas, por outro lado, são tão gostosas que eles querem comer”, diz.

Cuide da saúde Bucal de seu filho

>>Enquanto o bebê não tem dentes, os pais devem fazer a higiene bucal com gaze ou fralda umedecida em água filtrada.

>>Quando surgem os primeiros dentes, os pais já podem usar a dedeira e o creme dental.

>>A partir dos 2 anos, é indicada a limpeza com a escova de dente.

>>É importante treinar a criança para que ela cuspa a espuma e não a engula.

>>Enquanto ela não for capaz de cuspir, deve-se retirar a espuma da boca do bebê após a escovação.

>>Não é recomendável deixar a criança fazer brincadeiras com a escova e o creme dental.

>>Mantenha o creme dental longe da criança até que ela se mostre madura o suficiente para não comer o produto.

>>E, ao comprá-lo, sempre olhe o teor de flúor na caixa da pasta de dente

Especialistas divergem sobre o tema

A recomendação sobre o teor de flúor não é consenso entre os especialistas. “Indicamos que, para crianças de até 2 anos, seja usado um creme dental com concentração menor de flúor, de 500 ppm. Mas, a partir de quando a criança já tem controle maior sobre o que engole, já pode usar a pasta de dente familiar”, explica Márcia Vasconcelos, da Sociedade Brasileira de Odontologia.

Ela diz também que a fluorose, apesar de estar se tornando mais comum, na maioria dos casos é uma questão estética “Continuamos apostando nos pais usando os cremes dentais fluoretados para as crianças”. Márcia enfatiza os benefícios que o flúor trouxe para o controle da cárie no Brasil.

Já a dentista pediátrica Kátia Regalado, da Clínica Sorridents, diz que recomenda a seus pacientes o uso do creme dental com pouco flúor até os 6 anos. “Em São Paulo, a água já é fluoretada. Somando ao flúor do creme dental, pode levar à fluorose”, diz. Ela admite, porém, que no caso de crianças que têm dietas ricas em açúcar, gerando micro-organismos bucais que favorecem a cárie, a falta do flúor vai tornar o ambiente ainda mais propício para o problema. “Os pais devem acompanhar a escovação das crianças”, indica.

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Crianças devem usar que tipo de pasta de dente?

20/10/2010 às 00:00

Gabriel de Almeida e Amaral, 8 anos, não gosta muito de escovar os dentes. Gostoso, mesmo, garante o menino, é comer o creme dental escondido dos pais - especialmente quando ele encontra sabores atraentes, como morango, tutti frutti e uva, no armário.

Por causa do excesso de flúor adicionado a essas pastas, seus dentes nasceram com manchinhas brancas, chamadas de fluoroses.
É também por causa delas, que representam um mero problema estético, que vários fabricantes de cremes dentais para crianças decidiram reduzir o teor de flúor dos produtos, já prevendo que eles acabariam devorados feito guloseima pelo público infantil. Com isso, os dentistas agora têm de lidar com um problema bem mais sério: a volta da cárie ligada à falta de flúor.

Segundo uma pesquisa de mestrado orientada pelo pesquisador Jaime Cury, professor da Faculdade de Odontologia da Unicamp (campus Piracicaba), a tendência de se usar pastas com teor reduzido de flúor para os menores de 6 anos, disseminada nos anos 2000, mostra seus reflexos agora, com um aumento de casos de cáries nos consultórios.

“A prevalência de cárie dental em crianças de 4 e 5 anos começou a aumentar de novo. A cárie é uma doença não erradicável. Se a gente baixar a guarda, ela com certeza aumenta”, afirma Cury. O estudo, desenvolvido pela dentista Regiane Cristina do Amaral, foi publicado recentemente pela revista científica “European Journal of Oral Sciences” - referência em odontologia.

Cury conta que, durante suas palestras, dentistas de todo o Brasil o procuram para relatar o aumento na incidência de cáries em seus consultórios. A dentista Márcia Vasconcelos, consultora da Sociedade Brasileira de Odontologia (SBO), faz questão de lembrar que, foi por causa da universalização do uso de flúor no Brasil, desde os anos 1980, é que as cáries começaram a ser controladas no País.

No estudo da Unicamp, Cury comparou a eficácia de dois tipos de cremes dentais em 14 crianças: os de baixa concentração de flúor, com 500 ppm (partículas por milhão), e os de alta concentração da substância, com 1.100 ppm. Depois, ele coletou uma amostra bucal dos voluntários analisados e submeteu o material a diferentes quantidades de açúcar para ver como as bactérias se comportavam.

Quando exposto a pouco açúcar (duas vezes ao dia), o flúor menos potente foi suficiente para conter as bactérias da cárie. Mas, nas amostras submetidas a muito açúcar (oito vezes ao dia), as bactérias da cárie ficaram ativas. Além disso, nas crianças que já apresentavam o desenvolvimento de cárie, o creme de baixa concentração de flúor não foi suficiente para barrar o processo, enquanto que o creme de 1.100 ppm fez a cárie regredir.

Atenção na escolha - As duas variedades de concentração de flúor estão disponíveis no mercado. Segundo Cury, as conclusões do estudo servem de alerta para os pais na hora de escolher o creme dental do filho: a concentração acima de 1.000 ppm é fundamental na avaliação dele. Para evitar as manchinhas da fluorose, o dentista recomenda orientar as crianças a usar pouca quantidade de creme dental na escovação - o tamanho correspondente ao de uma ervilha já é suficiente. Vale também proibir a comilança de pasta. “Já ouvi relatos de crianças que comiam creme dental com bolacha recheada ou no meio do pão. Isso é um absurdo. Os pais precisam educá-las para isso não ocorrer”, acredita.

Pai de Gabriel, o fotógrafo Sérgio Amaral conta que tem se esforçado para brecar as estripulias com os cremes dentais. “Essas pastas infantis são boas por um lado, porque incentivam a criança a querer escovar os dentes. Mas, por outro lado, são tão gostosas que eles querem comer”, diz.

Cuide da saúde Bucal de seu filho

>>Enquanto o bebê não tem dentes, os pais devem fazer a higiene bucal com gaze ou fralda umedecida em água filtrada.

>>Quando surgem os primeiros dentes, os pais já podem usar a dedeira e o creme dental.

>>A partir dos 2 anos, é indicada a limpeza com a escova de dente.

>>É importante treinar a criança para que ela cuspa a espuma e não a engula.

>>Enquanto ela não for capaz de cuspir, deve-se retirar a espuma da boca do bebê após a escovação.

>>Não é recomendável deixar a criança fazer brincadeiras com a escova e o creme dental.

>>Mantenha o creme dental longe da criança até que ela se mostre madura o suficiente para não comer o produto.

>>E, ao comprá-lo, sempre olhe o teor de flúor na caixa da pasta de dente

Especialistas divergem sobre o tema

A recomendação sobre o teor de flúor não é consenso entre os especialistas. “Indicamos que, para crianças de até 2 anos, seja usado um creme dental com concentração menor de flúor, de 500 ppm. Mas, a partir de quando a criança já tem controle maior sobre o que engole, já pode usar a pasta de dente familiar”, explica Márcia Vasconcelos, da Sociedade Brasileira de Odontologia.

Ela diz também que a fluorose, apesar de estar se tornando mais comum, na maioria dos casos é uma questão estética “Continuamos apostando nos pais usando os cremes dentais fluoretados para as crianças”. Márcia enfatiza os benefícios que o flúor trouxe para o controle da cárie no Brasil.

Já a dentista pediátrica Kátia Regalado, da Clínica Sorridents, diz que recomenda a seus pacientes o uso do creme dental com pouco flúor até os 6 anos. “Em São Paulo, a água já é fluoretada. Somando ao flúor do creme dental, pode levar à fluorose”, diz. Ela admite, porém, que no caso de crianças que têm dietas ricas em açúcar, gerando micro-organismos bucais que favorecem a cárie, a falta do flúor vai tornar o ambiente ainda mais propício para o problema. “Os pais devem acompanhar a escovação das crianças”, indica.